Oferta do Carrefour por Pão de Açúcar gerou reação do grupo Casino

Abilio Diniz negocia fusão com Carrefour
Alexandre Melo
Do Diário do Grande ABC

As notícias de associação entre o Grupo Pão de Açúcar e o Carrefour no Brasil, antes negadas pelo empresário Abilio Diniz, foram confirmadas ontem ao mercado pelas varejistas.

A proposta é complexa e envolve aportes de R$ 3,910 bilhões do governo por meio do BNDESPar e de R$ 690 milhões do BTG Pactual.

Essa operação ainda está sujeita à aprovação dos acionistas das empresas envolvidas nos próximos 60 dias. Para criar a maior varejista do País será realizada incorporação do GPA pela Gama, empresa do BTG, assim os acionistas migrariam para nova companhia e a rede passa a ser subsidiária.

O passo seguinte é aumentar o capital da Nova Pão de Açúcar para incorporar a operação do Carrefour Brasil. Em determinado momento, o Carrefour França teria 50% da nova empresa e a outra metade pertenceria à Gama, que por sua vez, teria 11,7% das ações da varejista francesa, tornando-se o seu maior acionista.

TAMANHO - Nova Pão de Açúcar consolidaria-se como maior companhia de varejo na América do Sul com receita de R$ 65 bilhões, fatia correspondente a 27% do setor supermercadista. As redes somarão 2.234 pontos de venda e 213.931 funcionários. Apenas o faturamento será quase três vezes maior que o do concorrente Walmart, de R$ 22,3 bilhões. Na região, a presença do Pão de Açúcar quase triplicará. As atuais 27 lojas totalizarão 70 quando somadas às do Carrefour, isso se nenhuma loja for fechada.

O negócio será submetido à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica. Para o advogado, Mário Nogueira, "o órgão avaliará a quantidade de lojas das companhias no raio de três quilômetros para determinar se esse número pode prejudicar ou não os concorrentes".

Entretanto, o sócio francês do Pão de Açúcar, a rede Casino, que não foi consultada por Diniz sobre a negociação com o Carrefour - seu rival na Europa e América Latina - parece ser o principal empecilho. O empresário brasileiro foi à França para se encontrar com o sócio, que não o recebeu. O Casino exigiu convocação imediata de reunião do conselho de administração do Pão de Açúcar e classificou o episódio como "agressão".

O consultor Ricardo Fernandes Paixão considera que a fusão enfrentará barreiras no Sudeste, onde a presença das redes é mais forte. "O negócio ajudará a companhia a ganhar escala e as sinergias serão muito fortes. Já os fornecedores passarão por uma pressão brutal nas negociações."

Paixão diz que a situação do Carrefour está "cambaleante", pois a varejista vendeu 49% do seu banco ao Itaú e descobriu há alguns meses rombo bilionário nas finanças.

http://www.dgabc.com.br/News/5896094/abilio-diniz-negocia-fusao-com-carrefour.aspx

Brasil é 'eldorado para supermercados', diz jornal francês

Oferta do Carrefour por Pão de Açúcar gerou reação visceral do grupo Casino

O Brasil é um “eldorado” para o setor de supermercados, como indica a batalha de dois grandes grupos franceses em torno do brasileiro Pão de Açúcar, afirma nesta quarta-feira uma reportagem do jornal francês Le Figaro.

“O combate homérico” – nas palavras do jornal – entre os dois gigantes se justifica pelo fato de ambos estarem encontrando dificuldades no seu mercado de origem, “cada vez menos e menos adaptado aos hábitos de consumo nos países de economias maduras”, nas palavras de um ex-diretor do Carrefour.
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“Em contraste, o hipermercado é o formato é ideal para se beneficiar do crescimento dos países emergentes”, disse ele.

O Figaro sublinha que “as perspectivas de crescimento no Brasil são imensas”.

“O país é o terceiro mercado alimentar do mundo, atrás dos Estados Unidos e da China e à frente da Índia. E até o momento, a distribuição moderna não representa senão metade do mercado”, destaca a reportagem.

‘Queda-de-braço’

A proposta de fusão do Pão de Açúcar com o Carrefour, destaca o Le Monde , desperta a oposição visceral do grupo Casino, que divide o controle da rede brasileira com o empresário Abílio Diniz, em uma parceria que data de 1997.

O arquirrival francês do Carrefour “não tem intenção de abrir mão” de importante presença no mercado brasileiro e portanto a batalha tem tudo para ser “homérica”, destaca o Monde, ecoando as palavras do Figaro.

Se for concluída, a complexa operação colocaria os dois rivais na mesma empreitada, e “faria nascer um gigante da distribuição, controlando 31,5% do terceiro mercado mundial em termos de gastos alimentares, com um volume de negócios de US$ 30 bilhões de euros”.

O diário econômico Les Echos antecipa uma dura “queda de braço”. Para o jornal, o empresário Abílio Diniz, dono do grupo Pão de Açúcar, “mais uma vez soube esconder o jogo”.

“Depois de negar por muito tempo a existência de negociações com o Carrefour, e ter esboçado uma tentativa de conciliação com Jean-Charles Naouri (presidente do grupo Casino), desta vez ele vai direto ao assunto”, diz o jornal.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/06/110629_paodeacucar_press_pu.shtml

Pão de Açúcar engorda R$ 2,1 bilhões em um dia na Bolsa

Valor de mercado da rede de supermercados subiu a R$ 18,9 bilhões, após proposta de fusão com Carrefour

O Pão de Açúcar engordou R$ 2,128 bilhões em valor de mercado em apenas um dia. Esse foi o resultado do anúncio de que o Carrefour recebeu uma proposta para fundir suas operações com o grupo de Abílio Diniz, em uma operação liderada pelo BTG Pactual, do banqueiro André Esteves, com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Na operação, o Pão e Açúcar e o Carrefour vão compartilhar o controle do maior grupo de varejo do Brasil, o terceiro maior em vendas de alimentos do mundo, com faturamento estimado para R$ 70 bilhões para 2011.

O Pão de Açúcar valia R$ 16,836 bilhões na segunda-feira, resultado de 258,8 mil ações que custavam R$ 65,03. Mas, com a reviravolta de ontem, a rede de supermercados passou a valer R$ 18,964 bilhões, com ações que dispararam nada menos que 12,64% e fecharam cotadas em R$ 73,05.

Segundo analistas, a fusão é positiva, pois trará largos ganhos de escala, gerando uma companhia com capital original estimado, pelo próprio Pão de Açúcar, em R$ 4,6 bilhões. Cauê Pinheiro, da SLW, lembra que a companhia resultante da fusão será uma corporação global, e que o negócio terá um ótimo aproveitamento de sinergias. O fato relevante divulgado pelo Pão de Açúcar ao mercado cita um estudo da FGV apontando sinergias de R$ 8,4 bilhões.

Outro benefício do negócio é a criação de uma empresa apenas com ações ordinárias em Bolsa. Por darem direito de voto, essas ações normalmente valem mais que as PN.

O anúncio também fez subirem as ações do Carrefour em Paris, mas derrubou a cotação do sócio de Diniz no Pão de Açúcar, o também francês Casino. As ações do Groupe Casino registraram forte queda na bolsa de Paris. Os papéis da varejista fecharam em baixa de 5,61%, a 62,20 euros, enquanto o índice CAC, o principal da França, subiu 1,46%. O Carrefour subiu 2,84%, cotado em 27,20 euros. No ano, as ações caem 11,83%. Casino recua 14,74%, e o CAC sobe 1,24%.

Desde que surgiram os primeiro boatos envolvendo as conversações entre o Carrefour e Abilo Diniz, as ações do Casino estão em queda. No dia 20 de maio, pouco antes dos primeiros rumores, os papéis do Casino estavam cotados a 74,65 euros. Desde então, as cotações acumulam uma desvalorização de quase 17%.

http://economia.ig.com.br/mercados/pao+de+acucar+engorda+r+21+bilhoes+em+um+dia+na+bolsa/n1597051966973.html

Motivo da briga entre Diniz e Casino começa a ser desvendado

São paulo - O motivo da tensão entre o Casino e um dos sócios do Grupo Pão de Açúcar (GPA) começa a ser desvendado, segundo informações vindas da França. Tudo indica que Diniz tentou por diversas vezes, no último ano, renegociar a cláusula do acordo de acionistas que garantia ao Casino o direito de assumir o controle do Grupo Pão de Açúcar e nomear um dirigente a partir de 22 de junho de 2012. Tal investida teria criado desconforto nas relações entre ambos, já que o Casino não se mostrou disposto a renegociar.

A negociação com o Carrefour seria uma última cartada de Abílio para continuar no comando do grupo antes de vender completamente sua participação, tendo em vista que nenhum de seus filhos teria condições de sucedê-lo na empresa.

O presidente do Casino, Jean-Charles Naouri, havia incumbido quatro diretores de manter um relacionamento próximo com Abílio Diniz, de acordo com reportagem do Le Figaro. Os quatro deixaram o grupo e dois deles voltaram ao mercado como diretores do Carrefour. O mais correto é Pierre Bouchut, que é atual diretor Financeiro do grupo e antigo diretor-geral do Casino.

O presidente do Casino, Jean-Charles Naouri, havia incumbido quatro diretores de manter um relacionamento próximo com Abílio Diniz, de acordo com reportagem do Le Figaro. Os quatro deixaram o grupo e dois deles voltaram ao mercado como diretores do Carrefour. O mais correto é Pierre Bouchut, que é atual diretor Financeiro do grupo e antigo diretor-geral do Casino.

Outra baixa do Casino foi seu diretor para América do Sul, Francis Mauger, que se tornou diretor do Carrefour Property, braço imobiliário do varejista. Além disso, o ex-diretor de Fusões e Aquisições do Casino, Hakim Aouani, que havia participado por cinco anos do conselho de administração do Grupo Pão de Açúcar, deixou o varejista em 2010 para abrir a Euro Latina Finance, uma consultoria especializada em fusões e aquisições no Brasil. Aouani teria, segundo o jornal, ganhado novos clientes graças a seus antigos colegas de empresa, apesar de não afirmar que um deles era o Carrefour.

Apesar disso, as ações do GPA tiveram uma das maiores altas do mercado. Os papéis fecharam o pregão a R$ 66,29, com uma valorização de 6,4%, e lideraram as maiores altas do Ibovespa, que subiu 1,27%.

Negociações no Carrefour

Com todas as divergências que estão acontecendo entre o Casino e Diniz, o Carrefour resolveu na assembleia que aconteceu na última terça-feira. Por isso, o Carrefour está revisando suas opções para um potencial acordo com o Pão de Açúcar (Companhia Brasileira de Distribuição, ou CBD), se a joint venture entre a maior varejista brasileira e o Grupo Casino se desintegrar.

Segundo fontes do mercado, nenhuma decisão foi tomada sobre o assunto, em razão do estágio inicial de contato entre a companhia e o Pão de Açúcar, afirmou a fonte.
http://www.dci.com.br/Motivo-da-briga-entre-Diniz-e-Casino-comeca-a-ser-desvendado-11-376151.html

Sócio francês do Pão de Açúcar diz que Abilio Diniz ignora ética

Do UOL Economia, em São Paulo

A rede varejista francesa Casino, sócia do Pão de Açúcar, publicou anúncio nos principais jornais brasileiros nesta quarta-feira criticando duramente a proposta de fusão entre o Pão de Açúcar e o Carrefour (empresa também francesa).

No texto, chamado "Comunicado ao mercado", o Casino diz que o empresário Abilio Diniz, dirigente do Pão de Açúcar, desrespeitou a lei e a ética.

"O Carrefour e o sr. Abilio Diniz ignoraram deliberadamente tanto a lei e os contratos quanto os princípios fundamentais da ética comercial", diz a nota.

A assessoria de imprensa do Pão de Açúcar disse que a empresa já se pronunciou por meio da Comissão de Valores Imobiliários (CVM), órgão que fiscaliza o mercado de ações. Ontem, a empresa emitiu um comunicado dizendo que "recebeu, nesta data (quarta-feira, 28), correspondência que contempla uma proposta de associação das atividades da CBD com os negócios do Grupo Carrefour".

O Casino pagou em 2005 para assumir o controle do Pão de Açúcar a partir de julho de 2012. Se o negócio com o Carrefour for confirmado, o Casino perde esse comando. O Casino e o Carrefour são concorrentes na França.

A nota do Casino afirma que o Pão de Açúcar passou semanas negando informações e qualificou a operação de ilegal. "Trata-se de proposta estruturada em conjunto, em segredo e de forma ilegal."

O Casino, que já havido informado que pediria arbitragem internacional para impedir qualquer negócio do Pão do Açúcar com o Carrefour, voltou a mencionar na nota a disposição de uma batalha judicial para vetar o acordo. "O Casino vem a público para afirmar que deseja apenas o pleno e contínuo respeito à letra e ao espírito dos contratos em vigor. Estamos confiantes que as leis e as autoridades brasileiras não permitirão que prevaleça qualquer ameaça ou estratagema destinado a violar direitos legitimamente constituídos de acordo com as leis do país."
Veja a seguir a íntegra do anúncio divulgado pelo Casino:

"Comunicado ao Mercado

Após semanas de negar informação ao Casino, à Companhia Brasileira de Distribuição (CBD) e ao mercado, foram finalmente divulgados, ontem, os termos de uma operação envolvendo um fundo de investimentos, o sr. Abilio Diniz e o Carrefour. Trata-se de proposta estruturada em conjunto, em segredo e de forma ilegal, com o objetivo de frustrar as disposições do acordo de acionistas que regem a Companhia Brasileira de Distribuição (CBD) e, indiretamente expropriar do Casino os direitos de controle adquiridos e pagos no ano de 2005.

Ao conduzir estas negociações, o Carrefour e o sr. Abilio Diniz ignoraram deliberadamente tanto a lei e os contratos quanto os princípios fundamentais da ética comercial.

O Casino tem sido um acionista leal da CBD, comprometido e de longo prazo, desde 1999, quando foi convidado pelo sr. Abilio Diniz e sua família para se tornar o maior acionista da companhia, numa época em que a CBD passava por sérias dificuldades.

Em 2005, em nova demonstração de compromisso com o Brasil e com a CBD, o Casino adquiriu do sr. Abilio Diniz e de seus familiares o direito de se tornar controlador da CBD em 2012. Não se tratou então, como não se trata ainda hoje, de um investimento financeiro ou especulativo, mas, sim, de um compromisso de longo prazo no Brasil, por parte de quem tem mais de 110 anos de história no varejo.

Reafirmamos mais uma vez nosso compromisso com o Brasil e com a CBD, bem como com seus colaboradores, sua administração, seus clientes, seus fornecedores e demais stakeholders.

Também queremos reiterar nosso apoio ao crescimento continuado da CBD, respeitando sempre sua identidade e nacionalidade brasileira.

O Casino vem a público para afirmar que deseja apenas o pleno e contínuo respeito à letra e ao espírito dos contratos em vigor. Estamos confiantes que as leis e as autoridades brasileiras não permitirão que prevaleça qualquer ameaça ou estratagema destinado a violar direitos legitimamente constituídos de acordo com as leis do país."
http://economia.uol.com.br/ultimas-noticias/redacao/2011/06/29/socio-frances-do-pao-de-acucar-diz-que-abilio-diniz-ignora-etica.jhtm